Quando
surgiu, na década de 30, o motor Volks de quatro cilindros contrapostos,
conhecido como "Boxer", era um exemplo de eficiência. Feito de liga
de magnésio ele era muito leve, além de dispensar radiador e bomba d’água.
Quem
não se lembra das propagandas que dizia “Ar não ferve”, num tempo em que os
outros carros viviam enguiçando por superaquecimento. Sem falar da
característica de suportar uso contínuo, em altas rotações, sem pane mecânica.
Bom,
por aqui ele chegou em 1950 pelo Grupo Brasmotor (proprietário da marca
Brastemp). As versões iniciais foram a de 1200cm³, que logo passou para 1300cm³
e depois veio a 1500, 1600 e até mesmo a 1700, usado no SP2. Quanto ao
combustível, isso dependia do momento econômico do país, mas começou com a
gasolina passando pelo diesel, álcool e até GNV.
Fomos
o último país a produzi-lo, em série, há quase dez anos. Nenhum motor foi tão
simples, resistente, confiável e de fácil manutenção quanto ele.
Incrivelmente, muitas vezes a vida de um motor boxer ultrapassava a própria
vida útil da carroceria.
A
Kombi foi, curiosamente, o primeiro e também o último a adotar esse
propulsor que já vinha mostrando dificuldades para adequar-se às novas normas em vigor. Os principais
argumentos eram:
-
Seu nível de ruído era de 2 decibéis mais alto que o permitido;
-
Elevada emissões de poluentes (o teor de hidrocarbonetos emitidos pelo boxer é 45% acima
do permitido);
-
Dificuldade em aderir à onda flex.
Esse
conjunto de fatores foi determinante para que o velho boxer desse lugar ao
“moderno” motor 1.4 refrigerado a água e flex, do Fox exportação, que além de tudo
ainda era até 34% mais potente e cerca de 30% mais econômico.
Mas
é isso, sua produção foi encerrada em nível mundial, no Brasil, dia 23 de
dezembro de 2005. Mesmo sendo barulhento e poluidor, esse motorzinho ainda
prestará bons serviços por muito tempo, além de manter firme uma legião de
defensores que cada vez aumenta mais.
Agora
enumerarei os modelos produzidos pela Volkswagen do Brasil, que desde 1950
compartilharam o velho boxer. Só lembrando que em seu tempo de glória eram
feitos mais de 2.200 desses motores por dia contra apenas 1.500 por mês já em
sua fase final.
Os Pioneiros
* Kombi (1950 a 2013)
Desde
que chegou ao Brasil ela vinha com o tradicional motor boxer, refrigerado a ar,
de 1200 cm³ e 36 cv. Em 1967 toda linha Kombi substituiu o motor 1200 pelo novo
1500 cm³ de 52 cv, o que permitiu ampliar a capacidade de carga de 810 para 970 Kg .
Em
1978, uma nova substituição. Agora saía o motor 1500 e entrava o 1600 cm³ de
dupla carburação que gerava 52 cv.
Com
a chegada da década de 80 e o preço do combustível nas alturas, a Volkswagen
apresentou em 1981 a
Kombi na versão diesel, com motor 1600 cm³ de 50 cv refrigerado a água (o mesmo
do Passat exportação). Em 1985 todas as versões a diesel foram
descontinuadas, dando lugar aos motores a álcool.
A
Kombi seguiu sem grandes alterações mecânicas até 1997, quando passou a vir
equipada com motor de 1600 cm³ de 58 cv com injeção eletrônica, sendo o primeiro
e único "VW a ar" com injeção no Brasil. Em 2005, devido às novas
leis de emissões de poluentes, o tradicional motor boxer refrigerado a ar foi
descontinuado.
* Fusca (1953 a 1986 – 1993 a 1996)
Assim
como a Kombi, o Sedan (Fusca) chegou ao Brasil, na mesma época, pela Brasmotor
até passar a ser fabricado exclusivamente pela Volkswagen em 1957.
Inicialmente seu motor era um 1200 cm³ de 36 cv. Em 1967 o Sedan recebia seu
novo motor 1300 cm³ de 45 cv.
A
escalada de potência prosseguiu com a introdução do Sedan 1500 cm³ de
52 cv, vulgarmente conhecido como Fuscão, em 1970. Essa versão acabou sendo descontinuada em 1975.
Quatro
anos mais tarde, em 1974, ocorre o lançamento da versão “esportiva” conhecida
como VW 1600-S, o Super Fuscão (ou Bizorrão), com motor de dupla carburação que
desenvolvia 65 cv. Curiosamente essa versão só foi produzida em 1974.
É chegada à década de 80 e no ano seguinte começam a chegar nas concessionárias as primeiras unidades do Fusca 1300 com motor a álcool.
É chegada à década de 80 e no ano seguinte começam a chegar nas concessionárias as primeiras unidades do Fusca 1300 com motor a álcool.
Em
1984 o motor 1300 deixou de ser produzido dando lugar ao novo motor
1600 (Tork), mais moderno, com
pistões, cilindros e cabeçotes redesenhados, válvulas de escapamento maiores e
novas câmaras de combustão que melhoram a queima da mistura ar/combustível.
No ano de 1985, para comemorar o lançamento da linha 85 uma série especial do Fusca passou a
ser comercializada. Era um modelo 1600 a álcool de dupla carburação. Em 1986 ele
passou a ser oferecido com uma única versão a gasolina ou a álcool. Nesse mesmo ano a
Volkswagen desistiu de fabricá-lo no Brasil.
Em
1993, a
Volks volta a fabricar o Fusca, embora ainda mantivesse o mesmo motor 1600
de sete anos atrás. Em 1996 ele definitivamente deixava de ser produzido no
Brasil.
Os derivados
Seguindo
a configuração padrão (motor boxer, traseiro, arrefecimento a ar) inaugurada
pela Kombi e pelo Fusca, a Volkswagen decide lançar novos modelos destinado a
outras fatias do mercado, inclusive esportivos:
* Karmann Ghia (1962 a 1972)
Foi
o primeiro esportivo, oficialmente, feito aqui pela Volkswagen, apenas três
anos depois da fabricação do primeiro Fusca no Brasil. O modelo inicial possuía
motor de 1200 cm³ de 36 cv. No ano de 1967 ele passou a utilizar o motor de
1500 cm³ de 52 cv. Já em 1970 passava a contar com motor 1600 cm³ de
carburação simples e 58 cv.
* VW 1600 (1968 a 1971)
Em
1968 estreava o VW 1600, um sedã três volumes de quatro portas. Foi um veículo
médio que oferecia maior conforto e maior capacidade de carga, aliado ao motor
1600 cm³ de carburação simples e 58 cv que era o de maior cilindrada, da
Volkswagen, na época.
* Variant (1969 a 1976)
Esse
veículo era uma a perua de três portas destinada a ser uma opção mais
confortável de carro familiar. O motor era um 1600 cm³ de 65 cv e dupla
carburação. Contudo este motor se diferenciava dos demais pelo fato de sua
ventoinha, que, ao invés de ficar sobre o bloco (como nos anteriores), ficava
ao lado dele. Sendo por muitos, chamado de motor “deitado” ou “plano”. Esse
detalhe permitia “reduzir” a altura do motor ampliando a área de carga.
* TL (1970 a 1976)
Em
agosto de 1970, com base na nova linha da Variant, a VW introduziu o cupê TL
em substituição ao VW 1600 sedã quatro portas. Utilizava a mesma mecânica da perua
Variant, a diferença estava na carroceria Fastback.
Vale
ressaltar ainda a série limitada chamada TL Personalizado, vulgarmente,
conhecida como “Sport”. Embora contasse com a mesma motorização do modelo
original, “esportividade” mesmo ficava a cargo apenas da maquiagem: faixas
pintadas nas laterais e nos capôs, soleira de porta, volante esportivo e etc.
* Karmann Ghia TC (1971 a 1975)
Assim
como o TL, o Karmann Ghia TC (Touring Coupé) também compartilhava o mesmo
motor emprestado da Variant. Só para lembrar, seu desenho foi todo desenvolvido pela Volkswagen do Brasil.
* SP1 e SP2 (1972 a 1976)
Da
mesma forma que o Karmann Ghia TC, a versão SP também foi desenvolvida aqui
para ser um cupê esportivo voltado ao mercado interno, até então, fechado às
importações. Para ele haviam 2 motorizações disponíveis: o SP1 com motor 1600
cm³ de 65cv emprestados da Variant, e o SP2, preparado, de 1700 cm³ e 75cv
(ambos com dupla carburação), mas o desempenho do carro, em suas duas versões
decepcionou por serem muito pesados devido à carroceria de aço.
Obs.: Apesar de seu notável design, ele não conseguia derrotar o Puma (seu concorrente direto) no desempenho. Embora o SP2 usasse um motor de 1700 cm³, seu rival era feito em fibra de vidro que o deixava muito mais leve do que o aço empregado no Volks. Isso proporcionava ao Puma uma maior velocidade final, ainda que utilizasse o mesmo motor 1600 cm³ do SP1.
* Brasília (1973 a 1982)
Obs.: Apesar de seu notável design, ele não conseguia derrotar o Puma (seu concorrente direto) no desempenho. Embora o SP2 usasse um motor de 1700 cm³, seu rival era feito em fibra de vidro que o deixava muito mais leve do que o aço empregado no Volks. Isso proporcionava ao Puma uma maior velocidade final, ainda que utilizasse o mesmo motor 1600 cm³ do SP1.
* Brasília (
Era
uma perua pequena (uma espécie de mini-Variant), com grande área envidraçada,
linha mais reta e interior que oferecia maior espaço interno aos passageiros.
Utilizava a mecânica de 1600 cm³ com carburação simples que gerava 58cv, mas o
baixo rendimento do motor levou a Volks a oferecer, como opcional, uma versão
com dupla carburação que desenvolvia 65 cv.
* Variant II (1977 a 1980)
A
diferença entre esse modelo e a versão anterior ficou por conta das suspensões
(dianteira McPherson e traseira por braço arrastado). O carro ficou parecendo
muito com uma Brasília, porém em grande dimensão. Seu propulsor era o
mesmo 1600 cm³ de dupla carburação, porém, gerando 67cv (dois cavalos a
mais do que a anterior), obtidos com um novo comando de válvulas e duas saídas
de escapamento.
* Gol BX (1980 a 1986)
Modelo
concebido para a indigesta missão de suceder o Fusca, do qual herdou parte da
mecânica. Inicialmente estreou com o motor 1300 cm³ de carburação simples e 45
cv, porém, colocado à frente da nova estrutura monobloco. Mesmo com ignição
eletrônica e contando com aperfeiçoamentos que lhe valeram 4 cv a mais que o
Fusca 1300, o Gol se mostrava lento em meio a concorrência. Devido às constantes
reclamações pelo baixo desempenho, foi lançada em 1981 a versão com motor 1600
cm³ (ainda refrigerada a ar), de dupla carburação e 65 cv.
* Saveiro BX (1982 a 1985)
Essa
picape derivada do Gol foi lançada para representar a Volkswagen do Brasil no
segmento de utilitários leves. Sua primeira versão contava com motor 1600 cm³
de dupla carburação e 65 cv. Foi o último produto desenvolvido pela Volkswagen
com o velho motor boxer refrigerado a ar.
Fonte:
Internet