terça-feira, 8 de julho de 2014

Matéria: Positivo e Operante

Lendo uma edição da Revista Fusca & Cia, me deparei com essa matéria muito interessante sobre o emprego do Fusca como viatura de polícia, sendo assim, resolvi compartilhar. Quem quiser ler toda a matéria, aí esta a capa do exemplar. Só lembrando que as fotos não são as mesmas da matéria impressa, mas valem como referência.


Vamos lá...


Positivo e Operante
 
POR MAIS DE QUATRO DÉCADAS, O FUSCA TAMBÉM SE DESTACOU NA DURA TAREFA DE VIGIAR, PROTEGER E MANTER A ORDEM NA SEGURANÇA PÚBLICA.
 
Ao longo de sua existência, o Fusca cativou gerações como sinônimo de durabilidade, economia, praticidade, valentia, entre outros adjetivos que ressaltavam a confiabilidade mecânica, a destreza e o valor de mercado do automóvel. Não faz muito tempo, ele também atuou nos mais variados serviços públicos, papel que lhe garantiu outros significados, inclusive o de defensor da lei.
 
Talvez os mais jovens possam até desdenhar, mas houve uma época em que o soar de uma sirene precedia o ronco de um motor refrigerado a ar. Eram as chamadas rádio patrulhas, que botavam os gatunos em alerta no apoio às ações das Polícias Civil  e Militar.
 
O Fusca foi incorporado nas nossas forças policiais nas décadas de 50. As primeiras unidades ainda vinham da Alemanha, mas já eram montadas aqui. Naquela época, o controle ostensivo da criminalidade no Estado de São Paulo, um dos primeiros a adotar o “besouro” na frota policial, era responsabilidade da Guarda Civil e da Força Pública (que se uniram, em 1970, dando origem a Polícia Militar).

Comando de Policiamento de Área Metropolitano-2 (CPA-M2), localizado em frente ao Aeroporto de Congonhas.
 

Entrega das primeiras viaturas à Guarda Civil, pelo Prefeito Jânio Quadros 1987.

Viatura da Força Pública.

Na ocasião, o Volkswagen Sedan começou a substituir os grandes e potentes modelos da Ford e Chevrolet que eram importados. A princípio, essa mudança foi vista com ceticismo pelos patrulheiros, que achavam o Fusca um carro pequeno e fraco demais para o serviço policial, recorda o coronel da PM Alaor Silva Brandão, 70 anos, que naquele tempo atuava como chefe da oficina da corporação.
 
De acordo com o oficial, no entanto, não demorou para que essa mentalidade fosse mudada. Por ser robusto e não recuar diante de terrenos difíceis, o besouro logo ganhou fama entre a corporação como a viatura para qualquer diligência e ficou conhecido pela alcunha de “baratinha”.
 
Baratinha.
 
“Certa vez, já nos anos 80, houve uma ocorrência em uma estrada de terra repleta de ladeiras. Estava chovendo e nem o Corcel, nem a Veraneio conseguiram transpor a lama. O único que chegou ao local foi o fusquinha”, destaca o soldado Marcos Antônio Fazio, de 43 anos, entusiasta e pesquisador do Fusca na área da segurança pública.
 
Difícil de imaginar uma Veraneio não conseguir transpor a lama.

 
Os temores iniciais pela falta de potência também não se confirmaram, já que 90% da frota do país naquele tempo, e boa parte dos veículos usados pelos bandidos, era composta por Fuscas. O problema era perseguir os DKW-Vemag, mais velozes e estáveis, lembra o coronel Brandão.
 
Imagina um DKW (motor dois tempos de 3 cilindros) sendo perseguido por um Fusca.
 
Mas a verdade seja dita, o espaço interno do carro, sobretudo no banco traseiro, era o maior empecilho no dia-a-dia das rondas operacionais. “O mais difícil era colocar alguém preso dentro do carro. Se já era difícil querer entrar no banco de trás, imagina acomodar o sujeito que lutava para não ir em cana”, conta o oficial.
 
 
Na época dos primeiros modelos, as baterias de 6 volts também chegaram a causar transtornos. “Elas simplesmente não aguentavam alimentar o rádio-comunicador e precisavam ser trocadas a cada 24 horas”, afirma o coronel. “A solução veio de um oficial chamado Walter Carlson, que teve a brilhante ideia de instalar uma segunda bateria no carro e outra polia no gerador”, revela.
 
Viatura da Dersa equipada com rádio transmissor.
 
O Fusca sobreviveu bravamente na polícia paulistana até meados de 1998. Atualmente, ainda é possível encontrar um ou outro exemplar no pátio de algumas delegacias. “Mas são usados apenas para trabalhos administrativos. Não dá mais para sair atrás de meliante a bordo de fusquinha”, explica o coronel Brandão.
 
Provavelmente essa foto é de meados de 1985. Entrega de novas viaturas.
 
De qualquer maneira, não é exagero afirmar que este pequeno grande carro se aposentou deixando um importante legado na força pública. “Quem trabalhou com ele não esquece jamais de suas qualidades excepcionais. Ainda hoje não inventaram um veículo que dê tão pouca manutenção e aguente tanto tranco”, destaca com saudade o oficial da PM.
 
TIRO PELA CULATRA
Insatisfeita com a demora na entrega das peças de reposição para os Fuscas, a Polícia Militar paulista resolveu dar uma “lição” na Volkswagen durante a década de 70. “Éramos o maior cliente da marca, nossa frota ultrapassava as 2.500 viaturas, mas a fábrica não conseguia fornecer as peças na velocidade com que precisávamos”, conta o coronel Brandão, na época chefe da oficina da PM. “Foi então que o alto comando da corporação teve a ideia de comprar alguma unidades do Corcel; sendo que tudo não passaria de uma jogada para fazer pressão na Volkswagen e ver eles agilizarem as entregas”, diz.
 
Década de 70. Entrega de novas viaturas.
 
De acordo com o oficial, o governo não entendeu a intenção da negociação e acabou comprando mais Corcel do que deveria. “Foi um verdadeiro desastre”, conta o coronel. “O carro da Ford não apenas era mais fraco do que o Fusca, como também não conseguia fazer as rondas nas ruas sem pavimentação da periferia”, afirma Brandão.
 
Por fim, a PM foi obrigada a retirar o Corcel do serviço operacional e passou a utilizar os poucos carros que resistiram apenas no transporte de pessoal.
 
Fonte:
- Revista Fusca e Cia. Ano 1 nº 3.
 

Um comentário:

  1. A foto em que na legenda diz provável data de 1985, na realidade está mais para fim dos anos 70 ou algo entre 1976 e 1977.

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