quarta-feira, 5 de março de 2014

Matéria: Von Dutch XAVW

Recentemente ao assistir o programa “Caçadores de Relíquias” do canal History, acabei descobrindo que não foi exclusividade de brasileiro a idéia de usar motor VW boxer “a ar” em motocicletas, como nas lendárias motos Amazonas fabricadas no Brasil no final dos anos 70.
 
O programa exibido hoje (15/02/2014) mostrou a criação de um americano chamado Von Dutch, que no final da década de 60 desenvolveu aquilo que seria a primeira motocicleta impulsionada por um motor VW a ar. Estou falando da Von Dutch XAVW.
 
Von Dutch


 
Von Dutch ficou conhecido por personalizar de forma artesanal, carros e motos usando a técnica do pinstripes (pintura em filete de tinta, similar a um risco), embora também fosse mecânico de motocicletas. Com tanta habilidade resolveu, por volta de 1966, a partir do zero, construir uma motocicleta sob encomenda: a raríssima XAVW Von Dutch.
 
Pinstripes

 
Percebendo a suavidade inerente e o baixo centro de gravidade que um motor de quatro cilindros opostos pode oferecer a uma motocicleta deu-se início a construção da sua moto. Enquanto os outros usavam chassis ​​BMW em seus projetos, Von Dutch trabalhou em torno de uma Harley-Davidson XA 1941.
 
A "XA” foi um projeto solicitado a Harley-Davidson, pelo governo dos Estados Unidos, que queria uma motocicleta durável e de baixa manutenção, capaz de atuar nas areias do Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial.
 
Von Dutch inicia o processo de fabricação com a substituição do motor. Para adaptação foram feitas algumas mudanças no chassis de forma que comportasse todo conjunto motriz da Volkswagen. A suspensão dianteira na XA é original de duas polegadas alongada da Harley springer, então Von Dutch instalou um garfo hidráulico Guzzi 1951 além do farol, guidom e pára-lama. Completam o design as rodas de 18 polegadas e os silenciadores que parecem ser de uma Triumph.
 



 
As 74 polegadas cúbicas (1200 cc do motor VW) rendem 36 cv, um considerável ganho de potencia em relação às 45 polegadas cúbicas do motor original da XA. Von Dutch ainda poderia facilmente ter envenenado o motor VW, ou mesmo trocado por um motor Porsche.
 

 
A obra-prima não seria completa sem um tratamento gráfico do próprio Von Dutch. O tanque herdado da Honda CB450 foi pintado em dois tons e o restante do conjunto com detalhes em risca de giz vermelho sobre o acabamento em preto.
 




 
Facilmente se vê que não é uma moto de produção, logo de cara nota-se o emblema da VW no tanque. Sem falar em alguns detalhes como a localização do radiador e bateria.
 
Atualmente a Von Dutch XAVW encontra-se em exposição no Museu Nacional de Motos em Anamosa, Iowa.
 



 
 
Fonte: http://www.bikernet.com/pages/VON_DUTCHS_XAVW_MOTORCYCLE.aspx

Matéria: Triciclo Renha

Lançados no final da década de 70 eram comuns ver figuras famosas em triciclos. Pessoas como Roberto Carlos e outras figuras populares eram vistas frequentemente empinando um certo triciclo chamado “Renha”.
 
 
O Tricilo Renha foi um dos precursores nesse segmento. Fabricados no Rio de janeiro pelo engenheiro Paulo Sérgio Renha. Foi o primeiro triciclo brasileiro a ser produzido em escala industrial. Eram equipados com o motor Volkswagen 1.600 refrigerado a ar e pesavam cerca de 400 kg.
 

Revista Duas Rodas - Novembro de 1979.
 
Em 1977 a Renha Indústria e Comércio de Veículos Ltda. vendia o triciclo, pronto ou em forma de kit. Sua velocidade chegava a impressionantes 150 km/h, velocidade na qual seus freios a tambor sofriam para funcionar. Era minimalista, possuía apenas o velocímetro e um marcador de combustível para seu tanque de 24 litros.
 
Anos depois, também no Rio de Janeiro, era desenvolvido um outro triciclo, chamado de “Vasco”. Muito semelhante ao Renha, porém com alguns diferencias: freios a disco, inclusive na roda dianteira, suspensão diferenciada e uma revisão da distribuição de peso (o Vasco não empinava tão fácil como o Renha).
 



 
Era comum ver nesses triciclos, uma ou duas “rodinhas” adaptadas no pára-choque traseiro, para evitar o impacto quando eram empinados.
 
Os triciclos sumiram por uns tempos devido ao acidente, ocorrido em 5 de novembro de 1981, com o apresentador Wagner Montes (ele perdeu a perna direita), que tinha um modelo que não era Renha e com motor Porsche, daí a fama de inseguros e perigosos que os Renha injustamente ganharam. Esse triste episódio acabou fazendo com que o fabricante interrompesse sua produção. Na época, esse desastre foi bastante explorado pela imprensa e até hoje suas circunstâncias ainda são desconhecidas.
 
 
 
Fontes:
 

Matéria: O Fusca do Ted Bundy

Theodore Robert Cowell, mais conhecido como "Ted" Bundy, foi um dos mais temíveis assassinos em série da história dos Estados Unidos da América durante a década de 1970. Com uma infância perturbada, ele iniciou a sua carreira criminosa em 1974, aos 28 anos, estuprando e assassinando suas vítimas.
 
 
Era um homem charmoso, inteligente, comunicativo, de conversa e palavras convincentes, que lhe ajudou a seduzir e eliminar mais de 30 mulheres numa matança desenfreada. Foi preso e conseguiu fugir, dando continuidade a seus crimes na mesma noite em que escapara.
 
 
Ted Bundy foi proprietário de um Volkswagen Fusca 1968. Este foi o carro que usou para a maioria de seus assassinatos. Sua estratégia era de colocar gesso no braço ou perna e caminhava pelo campus universitário. Uma vez escolhida sua vítima, ele se aproximava e deixava cair os livros para que elas o ajudassem a carregá-los até o carro. Chegando lá elas eram empurradas para dentro e agredias com um taco de beisebol depois levadas e executadas.
 




 
Antes de morrerem suas vítimas eram brutalmente torturadas, estupradas, estranguladas e esquartejadas. Dentes e mandíbulas quebradas, mamilos arrancados a mordidas, canos de metal introduzidos na vagina. Muitas vezes ele fazia sexo com os cadáveres. Também guardava cabeças como troféus em sua casa.
 
Ted Bundy foi levado a julgamento e condenado, pelo estado da Flórida em 1989, à pena de morte por eletrocução aos 42 anos. Por ironia do destino foi uma mulher quem ligou a chave da cadeira elétrica que pôs fim à sua vida.  Para sua última refeição ele pediu bife, ovos, pão e café. Abaixo as imagens de Ted após ser executado.
 



 
Em 2002 é lançado o filme Ted Bundy, baseado na história real do maior assassino em série do EUA.




  
 

Matéria: História da Moto Amazonas

No decorrer das décadas de 70 e 80, era quase impossível um mero mortal ter uma moto de alta cilindrada no Brasil, pois os modelos vendidos no território nacional eram importados e com o valor de aquisição que beirava a estratosfera, então dois mecânicos e também amigos (Luiz Antônio Gomides e José Carlos Biston) revolveram inovar e dar um jeitinho brasileiro para conseguir ter uma moto de alta cilindrada, com um preço compatível com a realidade do povo brasileiro na época.
 
 
A estrutura da primeira “Motovolks” (das fotos acima) foi feita com pedaços dos quadros de uma Harley e de uma Indian 1200, enquanto a parte inferior foi construída artesanalmente e por incrível que pareça, foi aprovada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP.

Logo após essa aprovação, havia a necessidade de um lugar para a fabricação do próximo protótipo (que ostentava detalhes como o painel do Chrysler Esplanada e tanque em forma de caixão), os dois amigos então decidiram abrir uma oficina em São Paulo, na Avenida Dr. Salomão Vasconcelos 668, e construíram mais três Motovolks, cujo paradeiro delas atualmente é desconhecido.
 
 
Mas a história não termina aqui. Uma empresa de São Paulo, a Auto Importadora Ferreira Rodrigues, se interessou pelo projeto dos mecânicos, então nasceu, em 1978, a lendária AMAZONAS, única moto com marcha à ré, que foi considerada na época, a maior motocicleta do mundo. Foi a maior febre em todo o Brasil, pois nesta época, não havia importação de motos no Brasil, e o povo tinha que se conformar com algumas motos nacionais de baixa cilindrada.
 
Deste modo, surgiu a Amazonas Motocicletas Especiais - AME, empresa fundada em 15 de agosto de 1978, no bairro da Penha em São Paulo. A produção dos modelos da marca iniciou rapidamente, após 32 dias depois da criação da AME, com os modelos Turismo Luxo, Esporte Luxo e Militar Luxo. A moto era uma verdadeira salada de peças de carros da época, com peças de: Corcel, Fusca, Puma e até do caminhão 608 da Mercedes.
 
 
Para se ter uma idéia, na época em que ela era fabricada, a Amazonas custava o equivalente a seis unidades da Honda CG125 (pesquisa feita pela Revista Moto Show em 15 de abril de 1983). Nos anos 80, a Amazonas teve seu auge alcançado, com seus modelos sendo exportados para o Japão (onde chegou a ser capa de revista), EUA, Kwait Alemanha, França e Suíça. O modelo possuía dimensões exageradas de 2,32m de comprimento e 1,69m de entre eixos, sua velocidade máxima em testes era entre 133Km/h e 144Km/h e seu consumo de 11Km/l na cidade e 16Km/l em estrada.

 

 
Em 1986 a AME mudava de mãos, sendo adquirida por Guilherme Hannud Filho, mas sua história não iria muito mais longe. Infelizmente, nem tudo foi alegria na existência dessas "grandiosas motocicletas", pois com a abertura da economia brasileira no início da década de 90, as motos importadas vieram com tudo e detonaram com a AME, porque os preços das motos importadas caíram vertiginosamente. A empresa acabou encerrando suas atividades com um total próximo a 450 unidades, das quais mais de 100 destinadas a polícia e exército. Apenas oito unidades com side-car foram fabricadas.
 

 

 
No ano de 2007, chegou a notícia, feita pelo próprio Guilherme Hannud Filho, que havia adquirido a marca em 1986, mas até o momento a marca não conseguiu emplacar o sucesso do passado. Inclusive muitas pessoas nem se quer sabe que a marca ressurgiu das cinzas. Abaixo, a foto de um modelo atualmente vendido, de 250cc:
 
 
Recentemente a revitalizada AME se associou ao empresário Pedro Bronzatti, que produz no interior de São Paulo uma custom com motor Volkswagen de projeto próprio, mas em baixa escala. Quase 100 kg mais leve e mais fácil de ser conduzida, a nova Amazonas está em desenvolvimento com motor equipado com injeção eletrônica e será montada na planta da empresa em Manaus, mas sem data de lançamento ou novas informações.
 
A título de curiosidade, segue a ficha técnica de uma Amazonas 1600 Turismo (1983):
 
- cilindrada: 1584cc
- motor: 4 cilindros refrigerado à ar com duas válvulas por cilindro
- alimentação: carburação dupla
- peso seco: 384kg
- partida: elétrica
- freio dianteiro: disco duplo
- freio traseiro: disco simples
- potência: 56cv a 4.200rpm
- capacidade do tanque: 30 litros
- câmbio: 4 marchas + Ré
- quadro: berço duplo em aço
- suspensão dianteira: telescópica
- suspensão traseira: duas molas
- comprimento: 2,32m
- largura: 1,05m
- entre eixos: 1.69m
- velocidade máxima: cerca de 140 km/h
- aceleração 0 a 100: cerca de 10 segundos

 
 
Revista Duas Rodas - Agosto de 1978.